cannabis medicinal: Imagem de uma mãe e sua filha

CANNABIS MEDICINAL: A HISTÓRIA DO USO DA MACONHA NO AUTISMO [2020]

Cannabis medicinal: Em 2013, a CNN divulgou o caso de Charlotte Figi, uma menina americana de 7 anos diagnosticada com à síndrome de Dravet, um tipo de epilepsia bastante forte, que as vezes ocorre juntamente com o autismo.

Ela teve uma clara melhoria, depois de começar a ser tratada com o Cannabidiol, um dos componentes da Cannabis, que tem entre as suas propriedades a capacidade de acalmar as convulsões.


Na atualidade,existem medicamentos à base de THC aprovados pela Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos [FDA].

Por exemplo, o dronabinol [Marinol®] e nabilone [Cesamet®], estão disponíveis no mercado americano na forma de pílulas para o tratamento de náuseas em pacientes submetidos à quimioterapia e estimular o apetite em pacientes com AIDS.

No entanto, o uso legal da Cannabis medicinal é relativamente novo e ainda são desconhecidos os efeitos a longo prazo que poderiam causar em pacientes autistas.

Principalmente devido aos problemas de dependência química, que causa esta droga, em grande parte da juventude no mundo, por exemplo,  segundo a Organização das Nações Unidas [ONU], 22,5 milhões de pessoas a usam diariamente.

No Brasil a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [ANVISA], na data 08/05/2017 reconheceu a Cannabis sativa [Maconha] como planta medicinal.

Formalizando assim o uso da Cannabis medicinal como um componente em medicamentos a ser produzidos no Brasil e exportados, e viabiliza também, futuras regulamentações do seu uso em tratamentos médicos.

Cannabis medicinal e sua relação com o autismo

O que é autismo?

O autismo é uma desordem neurológica, descrita por Kanner em 1943, antes disso era considerado um tipo de esquizofrenia.

Segundo a classificação do DSM-V [2013], agora o autismo é denominado de Transtornos do Espectro Autista [TEA], e é considerada uma condição neurológica que afeta o normal desenvolvimento da pessoa doente, começa na infância e perdura a vida inteira.

Este transtorno afeta o comportamento mormal da pessoa, como ela interage com os outros, a comunicação e aprendizado. Também inclui a síndrome de Asperger e Transtorno invasivo do desenvolvimento não especificado.

Esta doença é chamada de “transtorno do espectro” porque diferentes pessoas com TEA podem apresentar uma grande gama de sintomas.

A pessoa autista geralmente tem problemas para manter uma conversa, evita o contato visual e normalmente tem interesses limitados e comportamentos repetitivos.

É comum neles passar muito tempo ordenando coisas e repetindo frases uma e outra vez, dando a impressão de estar no seu “próprio mundo”.

O que é Cannabis?

Sinônimos: Maconha, Marihuana, Marijuana, Achis, opio dos pobres…

A planta, cujo nome científico é Cannabis sativa, é mais conhecida como maconha. Ela é originaria da Ásia Central e atualmente se cultiva em muitas partes do mundo.

Autismo - cannabis, imagem da morfologia da planta de maconha
A planta de Cannabis sativa tem nas suas flores femininas uma maior concentração de TCH e CBD, aceites medicinais presentes nos medicamentos a base da maconha/ Acp

O uso da Cannabis medicinal teve seu início há 3 mil anos antes da era cristã, e seu uso atual é dirigido para a recreação ou como um medicamento.

A planta de Cannabis produz uma resina que contem compostos chamados canabinoides. Alguns destes canabinoides são psicoativos [atuam no cérebro e alteram o estado da mente ou da consciência].

Nos Estados Unidos, a Cannabis medicinal é uma substância controlada e foi classificada na lista 1 [uma droga com alto potencial de causar dependência e sem utilidade médica].

Segundo a Organização das Nações Unidas [ONU] estima-se que 4% da população mundial consomem Cannabis pelo menos uma vez no ano e aproximadamente 22,5 milhões de pessoas a usam diariamente.

Medicamentos a base da Cannabis medicinal

O uso de Cannabis para fins medicinais remonta-se pelo menos 3 mil anos antes da era cristã. Se começo a usa-la na medicina ocidental no século XIX, principalmente para aliviar a dor, as inflamações, espasmos e convulsões.

Por exemplo, o nabiximol [Sativex] é um extrato da Cannabis medicinal, a qual esta composto de delta-9-THC e cannabidiol [CBD].

Este remédio, o nabiximol está aprovado no Canada [baixo a Notice of Compliance With Conditions [aviso de cumprimento de condições) ], para o alivio da dor em pacientes com câncer em uma fase avançada e para a esclerose múltipla.

Nos estudos pré-clínicos dos derivados da Cannabis medicinal, se investigou o seguinte:

Atividade antitumoral

  • Num estudo de laboratório de canabidiol [CBD] em células de câncer de mama com receptores de estrogênio positivos e negativos, se observou que causo a destruição das células cancerosas, enquanto teve pouco efeito em células normais da mama.
  • Outro estudo sobre o canabidiol em células de glioma humano, observou que, quando este remedio se administra junto com a quimioterapia o CBD pode fazer que a quimioterapia seja mais eficaz ao aumentar a destruição das células cancerosas sem danificar as normais.

Estimulação do apetite

  • Em muitos estudos feitos com animais, observou-se que o delta-9-THC e outros canabinoides causam uma estimulação do apetite e assim podem aumentar o consumo de alimentos.

Alivio da dor

  • Os receptores canabinoides [moléculas que se ligam aos cannabinoides] têm sido estudadas no cérebro, medula espinhal e terminações dos nervos do corpo em animais para entender suas funções no alivio da dor.
  • Nestes estudos observou-se que os canabinoides atuam para prevenir os problemas nos nervos [dor, dormência, formigamento, inchaço e fraqueza nos músculos] causados por algum tipo de quimioterapia.

Náuseas e vômitos

  • Os receptores canabinoides estão presentes nas células do cérebro e parecem desempenhar um papel no controle de náuseas e vômitos.
  • Em estudos com animais observou-se que o delta-9-THC e outros canabinoides podem agir sobre os receptores de canabinoides e evitar os vômitos causados por certos tipos de quimioterapia.

Ansiedade e sono

  • Por outro lado os receptores de cannabinoides do cérebro e de outras partes do sistema nervoso parecem desempenhar uma função no controle do estado de ânimo e ansiedade.
  • Entretanto, em vários modelos com animais foram observados os efeitos do canabidiol [CBD] no controle da ansiedade.

Conforme descrito nos parágrafos acima, as investigações sobre a Cannabis  medicinal concentram-se principalmente em pacientes com câncer e todos os estudos clínicos foram realizados em animais e não em seres humanos.

Efeitos terapêuticos da Cannabis medicinal em pacientes autistas

Em 2013, a CNN divulgou o caso de Charlotte Figi, uma menina americana de 7 anos diagnosticada com à síndrome de Dravet, um tipo de epilepsia muito forte, que as vezes ocorre juntamente com o autismo.

Esta menina teve uma clara melhoria após de ser tratada com o Cannabidiol um dos componentes da Cannabis, que tem entre as suas propriedades a capacidade de acalmar as convulsões.

Charlotte, que tinha mais de 300 crises convulsivas por mês, passo a ter apenas dois.

Além do controle das convulsões, a menina apresentou alguma melhora dos sintomas associados ao autismo: ela conseguiu manter contato visual com os pais e deixou de ter comportamentos tais como a autoflagelação e ataques agressivos.

Por outro lado as estimativas das pessoas autistas que apresentam quadros de epilepsia está entre 5 a 46%, sendo esta prevalência bastante elevada ao ser comparada com a média da população geral que é de 1%.

Entretanto são ainda necessários mais estudos para esclarecer de vez a relação entre o uso da Cannabis medicinal no tratamento do autismo.

Porém, devido ao crescente número de histórias de médicos e pais de crianças com sintomas severos de epilepsia e autismo que apresentaram melhorias quando eles foram tratados com a Cannabis medicinal, leva a esperança que, no futuro, substâncias como o cannabidiol sejam uma opção segura para o controle dos sintomas em pacientes autistas e epilépticos.

Cannabis medicinal: situação atual no 2017

As diferentes propriedades medicinais da Cannabis e seus componentes foram o centro de diversas pesquisas científicas e debates durante décadas.

Por exemplo, o THC, um dos derivados da Cannabis medicinal a demonstrado ter benefícios positivos em pacientes com câncer e AIDS.

Autismo e Cannabis, imagem de diferentes apresentações da maconha medicinal
Diferentes apresentações de medicamentos baseados na maconha, desde soluções orais, aerossol, bolos, até folhas secas para  o chá / Acp

Na atualidade, existem dois medicamentos a base de THC os quais foram aprovados pela Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos [U.S. Food and Drugs Administration-FDA].

Estes medicamentos são o dronabinol [Marinol®] e nabilone [Cesamet®], eles encontram-se disponíveis no mercado americano na forma de pílulas para o tratamento de náuseas em pacientes submetidos à quimioterapia e também para estimular o apetite em pacientes com AIDS.

Além disso, existem vários medicamentos baseados na Cannabis medicinal que foram aprovados ou, ainda, estão em processo de ensaios clínicos.

Um deles é o Nabiximols [Sativex®], um aerossol bucal que no momento está disponível no Reino Unido, Canada e vários países europeus. Ele serve para o tratamento da dor neuropático que pode acompanhar a escleroses múltipla, este remédio é uma combinação de THC com o cannabidiol [CBD].

Também há um medicamento liquido baseado no cannabidiol chamado Epidiolex, que está neste momento sendo analisada nos Estados Unidos e será usado para o tratamento de dois formas severas de epilepsia infantil, a síndrome de Dravet e a síndrome de Lennox-Gastaut

Quais são os países que legalizaram a Cannabis medicinal?

No Brasil, na data 08/05/2017 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa] reconheceu a Cannabis sativa como planta medicinal.

Isto implica que o THC um dos principais componentes medicinais da Cannabis medicinal, seja removida da lista de substâncias proibidas no Brasil e, portanto, as empresas farmacêuticas brasileiras estão livres para produzir medicamentos a base de maconha medicinal para o mercado local e sua posterior exportação.

Aqui na América do Sul, o Uruguai é o pioneiro nesta área, desde que, em 2013, legalizou o cultivo, a distribuição e o consumo de Cannabis medicinal. Também planejo a sua venda comercial nas farmácias “charrúas” desde 2016, mais com a saída do antigo presidente Mujica o projeto fico inconcluso.

Também, no 2015, Chile legalizou o uso de Cannabis medicinal, mais só neste 2017 as farmácias chilenas começaram a vender remédios à base desta planta.

Isso foi possível, graças a um convenio entre a produtora de Cannabis canadiense Tilray e a farmacêutica local Alef Biotechnology , que é certificada pelo governo chileno.

Os produtos medicinais são T100 e TC100 ambos são produzidos a partir do THC da Cannabis.

Mesma coisa acontece na Argentina, onde em março deste ano o congresso argentino aprovou o uso medicinal da Cannabis.

Referencias

  • MedlinePlus. Cannabis y Cannabinoides. 2017.
  • National Institute on Drug Abuse. Serie de Reportes de Investigación. La Marihuana. sept. 2015 National Institute on Drug Abuse. ¿Es la marihuana una medician? jun. 2015.
  • Estudo Revela: Maconha Afeta o Autismo Positivamente. Acessada em 23/05/2017
  • Anvisa inclui maconha em sua lista de plantas medicinais. acessada em 25/05/2017

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