Risperdal: Certeza de Futuros Casos de Ginecomastia no Brasil

Risperdal é o nome comercial deste antipsicótico, ele foi usado originalmente para tratar os delírios e alucinações em pessoas que padecem de esquizofrenia. Entretanto, desde 2006, foi legalmente autorizada pela Administração de Alimentos e Drogas [FDA] dos Estados Unidos para ser suplementado a crianças e adolescentes que sofrem de algum nível do Transtorno do Espectro Autista [TEA].

Aqui na América do Sul, Brasil é o primeiro país que autoriza o uso desde medicamento para tratar alguns sintomas de pessoas autistas, através do Sistema Único de Saúde [SUS] desde o passado 2015.

Chama poderosamente a atenção, que a pesar de ser um fato comprovado que este produto pode causar crescimento exagerado das mamas [Ginecomastia] em homens, e por esta razão, Jhonson & Jhonson teve que pagar indenizações bilionárias a pacientes americanos e ao próprio governo dos Estados Unidos. Este efeito colateral não é mencionado pelo Ministério de Saúde, a qual é assessorado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia [CONITEC], responsável para sua aprovação legal, para o uso em pessoas com autismo em território brasileiro.

Risperdal: o que é, como ele funciona?

Risperdal, cujo ingrediente ativo é a risperidona, foi desenvolvida pela Jhansen Pharmaceutical Inc., uma subsidiada da Jhonson & Jhonson [J&J]. A patente deste produto caducou em 29 de dezembro de 2007, isso deu liberdade de ação para produzi-la à diferentes empresas farmacêuticas, os produtos assim fabricados são denominados de segunda geração, genéricos ou antipsicóticos atípicos.

O uso mais frequente do risperdal é para tratar a psicoses delirante e alucinações em pessoas que padecem de esquizofrenia. Por outro lado, o risperdal, conjuntamente com outros antipsicóticos atípicos é usado para tratar algumas formas de transtorno bipolar, psicose depressiva, transtorno obsessivo-convulsivo e a síndrome de Tourette. Nos Estados Unidos foi aprovado seu uso em 2006 para o tratamento sintomático da irritabilidade em crianças e adolescentes autistas. Para o tratamento das formas mais brandas de autismo, o uso de risperidona não é recomendado devido aos seus efeitos colaterais.

Os efeitos colaterais comuns são; insônia, náuseas, ansiedade, tontura, hipotensão, rigidez muscular, dor muscular, tremores, sedação, aumento da salivação, aumento de peso e dificuldade de raciocínio. Tratamento de longo prazo acarretam os seguintes efeitos; desordem extrapiramidal [movimentos involuntários], dor de cabeça, inflamação da membrana da mucosa nasal, arritmia cardíaca, galactorreia, ginecomastia [excessivo desenvolvimento da glândula mamaria em homens], amenorreia, menorragia, atrofia cerebral e disfunção ejaculatórias e eréctil.

O Risperdal é um potente bloqueador dos receptores da dopamina e serotonina, os quais são neurotransmissores associados a diversas funções cerebrais como; regulação da ansiedade e comportamento agressivo. Porém, esta medicina deve ser usada como complemento a alguma outra terapia não medicamentosa, para obter um maior benefício no paciente. Também é um potente antagonista dos efeitos de 5-TH presente em drogas como o LCD.

Risperdal e Autismo: cronologia de diferentes casos na justiça

Este antipsicótico, Risperdal foi aprovado pela FDA, em 1993, para o tratamento de alucinações e demência em adultos com esquizofrenia nos Estados Unidos. Desde essa data saíram a luz publica diferentes efeitos adversos provocados por este medicamento, muitos deles derivaram em demandas judiciais para Jhonson & Jhonson, as linhas a seguir mencionam a cronologia desses acontecimentos:

No ano 2004 a J&J foi obrigada a modificar o prospecto do medicamento para advertir do risco de “ictus e morte” em pacientes com demência de idade avançada, aparição de convulsões, aumento de peso e a aparição de diabetes, entre os efeitos secundários. O Risperdal é usado no tratamento da esquizofrenia, autismo e demência em pacientes com Alzheimer.

No ano de 2006 foi aprovado o uso deste antipsicótico nos Estados Unidos para o tratamento de sintomas de irritabilidade e autoagressão em crianças e adolescentes com algum nível de comprometimento dentro do espectro autista.

Em 29 de dezembro de 2007, caducou a patente deste fármaco, isso deu lugar para que diferentes empresas farmacêuticas no mundo todo tenham a liberdade de produzir o ingrediente ativo, ou seja, a risperidona, para logo após, comercializá-la com diferentes nomes comerciais. Os produtos assim fabricados, são chamados de segunda geração, genéricos ou atípicos.

Risperdal e Autismo: problemas com a justiça dos Estados Unidos

Em 2012 Jhonson & Jhonson concordou em pagar a bilhonária quantidade de 2,2 bilhões de dólares para dar por terminado um juízo e declarar-se culpada ante sua iminente derrota num juízo seguido pelo Departamento de Justiça do Estados Unidos, quem acusavam a J&J da promoção ilegal do Risperdal entre os anos 1999 e 2005. O monto econômico pago pela J&J foi dividido entre o governo federal e diferentes estados, esse foi o juízo mais longo desse tipo na história norte-americana. Esta investigação governamental revelou que Jhonson & Jhonson usou uma variedade de táticas ilegais para conseguir que diferentes doutores recomendassem o Risperdal aos seus pacientes.

Imagem de uma mãe, reclamando por os efeitos negativos do rsiperdal
Ainda com todas as provas na sua contra e indemnizações pagadas por J&J, esta continua forte no mercado da saúde / ACP

J&J também foi demandada em vários estados norte-americanos, pelos efeitos colaterais da Risperidona e práticas inadequadas de marketing. Esta se declarou inocente e foi a juízo com o estado da Carolina do Sul, sob reclamações de “praticas inadequadas de marketing”. J&J perdeu o caso e o juiz ordenou uma sanção económica de 327 milhões de dólares. Logo após, Jhonson & Jhonson informou que chegou a acordos com os estados de Texas em 2012 e Montana em 2014 por 158 e 5,9 milhões de dólares respectivamente.

Risperdal e Autismo: demandas individuais perante o juiz

O primeiro caso levado até o juiz pôr via legal sob os efeitos adversos do Risperdal, foi iniciado por Aron Banks, que reclamou que a risperidona causo-lhe ginecomastia. Ele foi medicado com Risperdal na idade de 9 anos, ainda que esse medicamento não estava aprovado para ser recomendado a crianças.

Ele teve um desenvolvimento excessivo da glândula mamaria [ginecomastia] e precisou operações cirúrgicas para reduzi-las a normalidade. Aron, também experimentou um rápido aumento de peso e sofre danos no seu sistema endócrino. Em concordância com esses traumas físicos, Aron Banks também reclamou que aquilo lhe trouxe traumas psicológicos. Em setembro de 2012, Jhonson & Jhonson chegou num acordo econômico para fechar o caso, no primeiro dia que iniciou o julgamento numa corte da Filadelphia. Sob esse acordo, Banks e seus advogados não poderiam revelar a quantidade de dinheiro recebida para arquivar o caso.

O segundo caso que foi ao juiz em relação aos efeitos negativos do Risperdal, chego num acordo econômico no mesmo mês, uma semana após que o juízo foi aberto. No mesmo dia J&J anunciou que havia chegado num acordo em outros 4 julgamentos que tinha em aberto pela mesma causa [risperdal]. Novamente a quantidade de dinheiro desembolsada foi mantida de forma confidencial.

Ainda assim, Jhonson & Jhonson não admitiu “má práxis” nos acordos obtidos por ela e continuou negando sua responsabilidade pelos danos colaterais do Risperdal.

Em janeiro de 2014, 77 demandantes que tinham um acordo preliminar com J&J, informaram que a companhia farmacêutica estava negando-se a honrar aqueles acordos alcançados.

Em fevereiro de 2015, Austin Pledger converteu-se na primeira vítima em ganhar um juízo a J&J, já que o juiz do seu caso, falhou a seu favor. Pledger desenvolveu mamas em excesso na sua adolescência, depois que começou a ser medicado com Risperdal, isso na idade de 8 anos. Austin Pledger foi indenizado com 2,5 milhões de dólares depois de que o juiz declarara culpada a J&J por ter omitido as advertências necessárias sob o risco de causar ginecomastia em homens.

Um juiz em março de 2015 também condenou a Jhonson & Jhonson por práticas ilegais de marketing relacionadas com o Risperdal, porém, não encontrou provas de que aquele medicamento causo ginecomastia nos demandantes. Então a J&J não teve que pagar indemnizações econômicas.

O terceiro caso que iniciou em 15 de outubro de 2015 envolve a Tim Stange, quem tomou Risperidona desde 2006 até 2009. Este constitui-se no primeiro caso, levado nos estrados judiciais no qual o demandante começou a ser medicado com Risperdal depois do que a FDA autorizou o uso deste medicamento em pacientes autistas. Neste caso J&J foi condenada a pagar uma indemnização de 70 milhões de dólares.

O quarto juízo pelas mesmas razões iniciou uma semana depois do terceiro caso e chegou ao seu final antes que o terceiro. Neste caso o juiz encontrou em Nicholas Murray um desenvolvimento das mamas em excesso depois de começar a ser medicado por cinco anos com risperdal na sua adolescência. O juiz determinou que J&J não advertiu adequadamente o perigo de ginecomastia e ordenou uma indemnização a Nicholas Murray de 1,7 milhões de dólares.

No quinto caso, em julho de 2016 um juiz da corte de Philadelphia ordeno a J&J a indemnizar com 70 milhões de dólares a um jovem de Tennesse, Andrew Yount, quem reclamou legalmente que o Risperdal lhe causo um desarrolho excessivo de mamas [ginecomastia]. Este julgamento é o mais longo na corte de Philadelphia em relação ao surgimento deste efeito colateral em pacientes autistas, a J&J apelo aquela decisão do juiz por considerá-la excessiva, na corte superior de Philadelphia. este caso ainda está em andamento, segundo a agencia de notícias Bloomberg.

Segundo a drugwatch a multinacional Jhonson & Jhonson tem muitos problemas legais relacionados com o Risperdal [só 2100 casos arquivados na corte de Filadélfia, USA]. Estes problemas têm dos origens comuns: promoção de Risperdal através de práticas ilegais de marketing e ocultar de forma deliberada alguns efeitos colaterais como ginecomastia e diabetes. Por essas causas Jhonson e Jhonson já a gastado mais de 2 bilhões de dólares em pagar indemnizações e outros acordos antes de estes chegarem na justiça dos Estados Unidos.

Por outro lado, se você tem algum filho ou familiar atravessando estes mesmos problemas pôr o uso médico do Risperdal, pode solicitar uma avaliação gratuita do seu caso aqui.

Considerações finais

A luz destes fatos, volta para a mesa de discussão aquilo que muitos especialistas vierem afirmando desde há muito tempo atrás sob o uso de antipsicóticos em geral, e é que quando os riscos excedem os benefícios tem-se que pensar duas vezes sob a viabilidade de um tratamento com este tipo de fármacos. Atualmente, grupos de pais estão trabalhando para proibir a administração deste tipo de medicamentos em crianças em geral, isso devido a elevada quantidade de efeitos secundários que põem em risco a saúde dos pacientes, por outro lado, se desconhecem quais serão os efeitos a longo prazo em crianças com este tipo de medicação.

Em relação aos dados deste grupo de medicamentos antipsicóticos [primeira e segunda geração] pode se apreciar que eles tiveram um espetacular aumento em vendas na última década, e de forma especial na população infantil. A opinião de diferentes profissionais da saúde afirma que a protocolização do uso de antipsicóticos em crianças perante casos de TDAH confirmados ou não, casos de transtornos do espectro autista [TEA] confirmados ou não, envolve por um lado, um grande negócio econômico para as empresas farmacêuticas e por outro lado a ocorrência de riscos desnecessários para a saúde de parte da população desprotegida como são as pessoas com problemas mentais, pessoas que não podem assumir sua defensa por seus próprios médios.

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Agradecimentos ao meu amigo André Capilheira pela correção da tradução deste artigo do Espanhol para o Português brasileiro.

Referencias

Risperdal Verdicts & Settlements – Marketing, Personal Injury & Trial. https://www.drugwatch.com/risperdal/settlements-verdicts/. Accesada en 26/03/2017

Chris Helking. 2015. Johnson & Johnson to Pay $1.75 Million Risperdal Lawsuit Verdict

Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias. 2014. Risperidona no Transtorno do Espectro do Autismo [TEA].

Tercera sentencia condenatoria consecutiva en los EE.UU. por ocultar los efectos adversos del Risperdal. https://autismodiario.org/2012/04/15/tercera-sentencia-condenatoria-consecutiva-en-los-ee-uu-por-ocultar-los-efectos-adversos-del-risperdal/. Accesada en 28/03/2017

ClickNews. 2006. Especialistas falam sobre a risperidona injetável no tratamento da esquizofrenia.

Enoc Sejas
Enoc Sejas

Enoc Sejas é Engenheiro Agrônomo e, acima de tudo, um pai dedicado. De origem boliviana, Enoc e sua esposa Dalcy têm percorrido uma longa jornada em busca do melhor para seu filho Keithon, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA Grau 1). A sua viagem familiar levou-os da Bolívia para a Argentina, depois para o Brasil, e de volta à Argentina, sempre buscando as melhores oportunidades. A partir desta valiosa experiência, Enoc compartilha informações e apoio neste site para outras famílias.

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